Elementos criativos na montagem do Caravanas Imaginárias
A segunda etapa do nosso Laboratório
de Processos Criativos é voltada para elaboração dos elementos criativos e da
corporalidade coletiva, tendo em vista a construção de uma montagem
coreográfica.
Nesta fase, alguns elementos
do imaginário do grupo se tornaram mais evidentes: as imagens do deserto, dos
ventos soprando sobre a paisagem e as caravanas cruzando as areias imemoriáveis
confluíram para o cerrado, o sertão do Planalto Central. Aterramos a
territorialidade cênica na nossa paisagem local.
A serpente, animal de poder e
figura mítica que evoca as forças curativas, ocultas e transformadoras apareceu
diversas em nossos exercícios de imaginação conduzida. Depois, ela se
materializou em sequências de movimentos do Kung Fu chamadas de TAO LU, uma
elaboração trazida por Carol Barreiro.
A roda se consolidou como um
importante elemento compositivo. O grupo tem se utilizado das movimentações em
roda para costurar uma ação coreográfica com a outra. A simbologia da roda
mostra como a corporalidade coletiva ganha força com os movimentos
sincronizados, espelhados, repetidos e coordenados.
Os momentos de improvisação
estão se estabelecendo de maneira orgânica também. O grupo demonstra ter
internalizado a dialética coreográfica entre
momentos coreografados e improvisados. As intérpretes-criadoras caminham
entre o improviso e as marcações ainda em um processo de descobertas.
Um novo elemento compositivo
coletivo foi integrado ao repertório: o cortejo. Depois de experimentações com
referências às danças regionais afrobrasileiras e nordestinas, a imagem do
grupo organizado em cortejo surgiu naturalmente.
O véu, tradicionalmente usado
nas danças de matriz pélvica, foi o objeto cênico a se estabelecer para o
grupo. Objetos cênicos do universo circense, como o bambolê, foram sendo
incorporados –ainda em fase de elaboração.
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