O que trazemos na bagagem? A construção do território imaginal nas Caravanas Imaginárias
Por: Jamila Irina
Música, dança, subjetividade. No entrelaçar de dimensões imaginárias - pistas de um território imaginal em construção - as Caravanas Imaginárias vão ganhando corpo.
No primeiro encontro para as experimentações corporais com a trupe do Caravanas Imaginárias, começar a estabelecer pontos de convergência entre nós. Subjetividade e encontro. Começamos as atividades em roda, enquanto eu dançava ao redor do grupo segurando um incenso de sândalo - uma metáfora para um rito de iniciação, para evocar nossos papeis naquela jornada: guardiões do processo criativo, criadores e exploradores da experiência estética em suas dimensões numinosa, artística, e coletiva.
A corporalidade coletiva começou a ser construída desde o aquecimento, alongamento, quando juntos exploramos a potência e os limites do nosso corpo: onde podemos caminhar juntos e onde um pode guiar o outro, em uma corrente de corporalidade construída em grupo.
Avançamos nas práticas realizando jogos corporais e cênicos com o uso de véus. O véu é uma peça de figurino muito emblemática nas danças de matriz pélvica, seja em formato de lenço ou em uma dimensão maior usada como instrumento de dança. O véu esconde e revela corpos, mundos, emoções. O véu também pode ser elemento cênico, funcionando como objeto de interação entre as intérpretes-criadoras.
Em um dos jogos cênico-corporais, dividi as intérpretes em dois grupos colocados nos limites horizontais da sala, de frente para o outro. Ao toque da música, íamos cruzando o espaçoa, usando o véu tanto para dançar individualmente quanto para interagir. Também fizemos a mesma dinâmica em diagonal, explorando o espaço da sala de modo a experimentar diferentes formas de organização espacial.
Encerramos os exercícios corporais com a apresentação individual da bagagem que cada intérprete quer trazer para essa viagem das Caravanas Imaginárias. A bagagem física, as malas, os baús, são uma representação do que cada um quer trazer para a roda criativa e compartilhar com o grupo nas experimentações criativas.
Começando a construir o nosso território imaginal - espaço cênico compartilhado por um grupo que sonha, imagina e cria junto.
Foto 1: Bagagem musical: música e dança juntas como camadas criativas entrelaçadas
Em minha bagagem, trouxe muitos véus em diversas cores e texturas, rendados e transparentes, para representar as dimensões sutis que pretendo trazer: desejos, propriocepção e o jogo de esconder e revelar -escondo-me, revelo-me. Trouxe ainda uma vela vermelha para ilustrar a presença e a espiritualidade que sempre evoco em minhas danças. Os snudjs (Foto 1) e o pandeiro também estavam entre os meus objetos de criação, além de um livro de tarô - inspiração para meu processo particular de construção de personagens internos e a minha dissertaçaõ de Mestrado (Foto 2), da qual nasceu esse projeto de pesquisa.
Foto 2: Referências do Ventre Antropofágico - dissertação apresentada no PPG-CEN
Em seguida, Rose Monteiro trouxe uma saia rodada e florida para evocar as danças regionais que pretende explorar com o grupo. Cantou (video 1) e dançou com sua voz enérgica e afinada, enchendo a sala de energia vibrante.
Vídeo 1: Rose Monteiro canta
Nindie Elendil (Foto 3) trouxe um pequeno véu, explicando que pretende usar esse elemento como objeto de ligação entre os nossos corpos. Ela pretende trazer experimentações em contato e improvisação para as nossas Caravanas.
Foto 3: O véu para conexão corporal
Shabbana, grávida de Rudá, trouxe uma mala com muitos elementos que ilustram os afetos que a atravessam hoje: a maternidade, a música, os figurinos em dança, os estudos em teatro e a dança...
Foto 5: A caixa de Shandora
Comentários
Postar um comentário